O consumo de nicotina no Brasil está em transformação: de um lado, temos uma queda histórica no tabagismo convencional; de outro, o avanço acelerado dos cigarros eletrônicos e do uso dual, especialmente entre os mais jovens.

O III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) entre 2022 e 2024, entrevistou 16.608 brasileiros com 14 anos ou mais e trouxe um retrato inédito e detalhado dessa realidade.

Prevalência total em 2023

Ou seja: quase 1 em cada 6 brasileiros é usuário atual de nicotina.

A queda histórica do cigarro convencional

O Brasil é referência mundial na redução do tabagismo:

Isso significa uma queda relativa de 39,4% em 17 anos.

Diferenças por sexo

Diferenças por faixa etária

Apesar dos avanços, 23,8% dos fumantes apresentam alta ou muito alta dependência de nicotina segundo a Escala de Fagerström, e 36% fumam 20 ou mais cigarros por dia.

O crescimento dos cigarros eletrônicos

Pela primeira vez, o LENAD III avaliou de forma robusta o uso de dispositivos eletrônicos. Os dados revelam um crescimento preocupante, sobretudo entre jovens:

O dado mais alarmante está entre adolescentes: 76,3% dos que experimentaram continuam usando regularmente, indicando alta taxa de conversão para dependência.

Perfil predominante dos usuários de eletrônicos:

Distribuição regional do uso de nicotina

O uso de nicotina (cigarro + eletrônicos) varia por região:

Essas diferenças reforçam que o problema não é homogêneo e exige políticas públicas regionalizadas.

Percepção de risco e acesso

Apesar da proibição de venda de cigarros eletrônicos no Brasil, o acesso é relatado como fácil ou muito fácil por 77,8% da população.

Embora 94,7% da população geral reconheça os riscos, esse percentual cai entre adolescentes e usuários, indicando normalização do consumo.

Tentativas de cessação e recaídas

Políticas públicas e ações preventivas recomendadas

O LENAD III aponta caminhos para o enfrentamento:

Considerações finais

O Brasil conseguiu reduzir drasticamente o tabagismo tradicional, mas enfrenta agora o desafio emergente dos cigarros eletrônicos, sobretudo entre adolescentes.

Com 26,8 milhões de usuários de nicotina, sendo 6,4 milhões exclusivamente de eletrônicos e 700 mil adolescentes já convertidos em usuários regulares, o quadro exige respostas rápidas e consistentes.

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) reforça seu compromisso com a promoção da saúde e o combate à dependência de nicotina, atuando em parceria com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e oferecendo tratamento multiprofissional gratuito em diversas regiões do Brasil.

Perguntas frequentes (FAQ)

  1. Quantas pessoas usam nicotina atualmente no Brasil?
    Cerca de 26,8 milhões de brasileiros, ou 15,5% da população, consomem nicotina em forma de cigarro, eletrônico ou ambos.
  2. Os cigarros eletrônicos ajudam a parar de fumar?
    Não de forma eficaz. Apenas 8,9% relataram cessação, enquanto 44,2% recaíram ao cigarro convencional.
  3. Qual a taxa entre adolescentes?
    76,3% dos que experimentaram dispositivos eletrônicos continuam usando, um dos índices mais altos já registrados.
  4. Onde buscar ajuda para parar de fumar?
    Unidades Básicas de Saúde (UBS) e CAPS oferecem apoio gratuito, incluindo tratamento medicamentoso e psicológico.

Fonte Consultada: