O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento, manifestando-se de formas e intensidades diferentes em cada indivíduo.

Nas últimas décadas, o diagnóstico do autismo tem avançado significativamente, impulsionado por novos estudos científicos e pela construção de políticas públicas mais inclusivas.

Recentemente, o Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), publicou novas diretrizes nacionais para o diagnóstico e o tratamento precoce do TEA em crianças.
Essas atualizações representam um marco para o cuidado integral e humanizado, oferecendo orientações mais precisas aos profissionais de saúde e caminhos mais acessíveis às famílias.

Por que as novas diretrizes são um avanço para o diagnóstico do TEA

As novas orientações trazem uma abordagem mais abrangente e centrada na criança, considerando não apenas os sintomas clínicos, mas também o contexto familiar, social e escolar.

Entre as principais mudanças estão:

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a detecção precoce do autismo é essencial para reduzir atrasos no desenvolvimento, melhorar a comunicação e favorecer a autonomia da criança.

Cada ano de atraso no diagnóstico pode representar
perda de oportunidades importantes de aprendizado e adaptação social.

A importância do diagnóstico precoce e da intervenção multidisciplinar

O diagnóstico precoce é o primeiro passo para garantir o acesso a terapias e estímulos adequados, fundamentais no desenvolvimento cognitivo e emocional da criança.

As novas diretrizes reforçam que o tratamento do TEA deve ser
personalizado e interdisciplinar, envolvendo profissionais de diferentes áreas.

Entre as principais abordagens recomendadas estão:

A Fiocruz (2024) destaca que a intervenção precoce é capaz de melhorar significativamente a qualidade de vida de crianças com TEA, especialmente quando iniciada antes dos cinco anos de idade, período de maior plasticidade cerebral.

Sinais de alerta: o que pais e educadores devem observar

Um dos pontos centrais das novas diretrizes é capacitar profissionais da atenção primária, educadores e famílias a reconhecerem sinais precoces do autismo.
Os principais indícios incluem:

Esses sinais não significam necessariamente um diagnóstico de TEA, mas indicam a necessidade de avaliação especializada o quanto antes.

Importante:
O diagnóstico precoce não é uma “etiqueta”, mas uma ferramenta de cuidado. Ele permite que a criança receba apoio adequado para se desenvolver em seu próprio ritmo, com acolhimento e inclusão.

Como acessar serviços especializados pelo SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável por garantir o acesso gratuito à triagem, ao diagnóstico e às terapias necessárias para crianças com TEA.

De acordo com as novas diretrizes, o
fluxo de atendimento deve ocorrer da seguinte forma:

  1. Atenção Primária à Saúde (UBS): primeira porta de entrada, onde a criança passa pela triagem inicial e, se necessário, é encaminhada para avaliação especializada.

  2. Centros de Especialidades ou Serviços de Referência em Neurodesenvolvimento: realizam o diagnóstico interdisciplinar e orientam o início do tratamento.

  3. Rede de Cuidado à Pessoa com Deficiência (RCPD): garante o acompanhamento contínuo e o suporte terapêutico.

  4. Educação e inclusão: as secretarias municipais e estaduais de educação devem assegurar o suporte pedagógico e o acesso a professores de apoio, conforme previsto na Política Nacional de Educação Especial (PNEE).

Essas etapas reforçam o compromisso do SUS em oferecer atenção integral, equitativa e contínua, com foco na inclusão social e no fortalecimento das famílias.

O papel da SPDM

Com mais de 90 anos de história dedicados à promoção da vida, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) tem desempenhado um papel essencial na gestão e ampliação de serviços públicos voltados ao diagnóstico e ao cuidado de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, incluindo o TEA.

A instituição atua na capacitação de profissionais de saúde, no acolhimento familiar e na implementação de programas de atenção integral à infância, baseados em evidências científicas e alinhados às políticas nacionais de saúde e educação inclusiva.

Entre suas iniciativas, destacam-se:

Essas ações reafirmam o compromisso da SPDM em garantir um cuidado qualificado, humanizado e acessível, promovendo a autonomia e o bem-estar das crianças e suas famílias.

As novas diretrizes para o diagnóstico e o tratamento precoce do autismo em crianças representam um avanço significativo para o sistema público de saúde brasileiro.
Elas ampliam o olhar sobre o desenvolvimento infantil, fortalecem a integração entre profissionais e aproximam as famílias dos cuidados necessários.

Diagnosticar cedo é cuidar com responsabilidade e esperança.
A SPDM reforça seu compromisso com a promoção da vida, a disseminação do conhecimento e o fortalecimento de uma rede pública de saúde mais inclusiva, acolhedora e baseada em evidências científicas.

Fontes consultadas